quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Por que as pessoas são tão aproveitadoras?

Adriana Tanese Nogueira
 

A resposta à pergunta por que as pessoas se aproveitam da gente é "Porque permitimos que o façam". Ocorre um problema sério com algumas pessoas boas que gostam de pessoas: elas insistem em ser disponíveis e generosas obtendo como resultado ser sempre mais usadas e desrespeitadas. Quando despertam para a realidade se sentem traídas, tristes e decepcionadas. Muitas tendem a endurecer no ressentimento; outras se deprimem sem saber como reagir de forma a salvar seja sua bondade que a confiança nos outros.

Numa cultura onde feminino e masculino vivem divorciados, coração e inteligência não se conversam. Nesse contexto ser bom geralmente significa ser tolo e vulnerável. Quantas pessoas espertas vocês conhecem que podem chamar de boas? E quantas pessoas boas podem nomear que são espertas? Estou falando de pessoas boas, não das sonsas. Ser bom é fazer e dar sem pedir nada em troca; ser sonso é ser dócil para conseguir algo em troca.

Pessoas boas geralmente lidam ou com gente subrrepticiamente egoista (as sonsas e
miopes) ou com as explicitamente egoistas (as autoritárias e insensíveis). Continuar sendo disponíveis com pessoas assim não vai tornar essas pessoas repentinamente melhores, como se pudessem receber uma iluminação improvisa e fossem ficar com vergonha de terem se aproveitado de alguém por tanto tempo. Não, muito pelo contrário: dar sem receber alimenta o egoísmo do outro. Generosidade cega nutre o aproveitamento alheio. A disponibilidade incondicional dá suporte à prepotência do outro.

A alternativa é ser inteligentemente bons. Unir a cabeça ao coração e, consequentemente, abrir os olhos. Pessoas incluem em si um emaranhado de motivos, tendências, problemas e intenções. Quando se é bons: exatamente com o que se é bons? Com qual intenção, tendência, comportamento do outro estamos sendo bons? Quando dizemos "sim", o que estamos apoiando no outro? E o nosso "não" põe limites no que exatamente do outro? 

Essas perguntas se respondem com outras perguntas: O que queremos incentivar? Quais são nossos valores? Que relação queremos? E sobretudo: o "sim" e o "não" que eu digo ao outro já os disse antes para mim mesma?

Uma mulher que faz tudo o que o marido quer, está alimentando o egoismo dele. Ele chama isso de "amor" e ela também, mas a verdade é que ela é submissa e ele é prepotente. Ela é incapaz de assumir suas necessidades, tem medo dele e das consequências e ele pouco se importa com o que ela precisa. Resultado: não há amor. Para chegar a essa situação, ela disse "não" a si mesma antes de sofrer o "não" silencioso dele. Ele por sua vez, disse "não" à própria sensibilidade para tratá-la desse jeito. Ele não a enxerga e não quer enxergá-la. Ela está criando um tirano, ele uma escrava.

O fato de permitir o comportamento do outro não é sinônimo de bondade, mas de passividade e inconsciência. Há atitudes que devem ser paradas. Muitas vezes, as pessoas sequer se dão conta do que fazem e jamais irão aperceber-se até não encontrarem um obstáculo na sua frente. Esse obstáculo é você quando diz "não". E esse "não" tem que ser tanto mais firme quanto mais intensa for a tendência alheia ou quanto mais antigo for o comportamento que se quer modificar.

Nisso, meu cachorro ensina maravilhosamente bem. Não é culpa dele se é um Rottweiler apaixonado pela vida, cheio de energia e entusiasmo. Não é também culpa dele se é um líder cabeçudo querendo orientar o bando. Para que nos relacionemos bem, eu preciso usar uma força física (segurá-lo) e firmeza (psicológica) muito maior do que se estivesse lidando com um toy-poodle. Não preciso ficar com raiva, devo é ser firme e saber o que estou fazendo e onde quero chegar. Quando me posiciono assim, ele entende, muda de atitude e segue. Suas tendências seriam "más" se tomassem o controle de uma situação que ele não pode dominar porque eu tenho que ser a , vivemos em cidade, há carros, pessoas e perigos que ele não pode entender. Se ele não confiar em mim e me seguir, ambos corremos riscos. Com este exemplo quero dizer que o mais inteligente e consciente tem que estar no comando (e nisso, sou platônica: o governo deveria ser dos filósofos, dos que possuem visão e conhecimento). Ao ver um comportamento errado, quem o sofre e se dá conta tem a obrigação te tomar uma atitude. Para o bem de todos.

Saber dizer "não" implica dar-se o direito de se proteger, de querer receber algo em troca e de ser feliz. Muitas vezes, essa "bondade", que como um tiro sai pela culatra, só se compreende quando se olha mais profundamente e se observa a auto-estima da pessoa. Baixa auto-estima busca aprovação dos outros, apoio, carinho e reconhecimento. E como pretende obtê-los? Dando! No fundo o super-bom, dá para poder receber carinho. Tem medo de estabelecer limites e de perder as pessoas, que porém não pode ganhar sem auto-respeito.

A busca inconsciente por amor e aprovação está na raíz daquela bondade que acaba por ser abusada pelos outros. É como uma pessoa que abre seu baú do tesouro na praia de Copacabana e sorrindo assiste ao corre-corre do povo agarrando e levando. O resultado final é esgotamento, depressão e solidão. Então, se alguém está se aproveitando de você é porque você está permitindo. Não reclame. Tome atitude. Na verdade, a crise que nasce da realização de que aproveitaram de nós é a crise existencial pela forma como temos conduzido nossa vida.

Amor: é o que é

Adriana Tanese Nogueira

http://www.psicologiadialetica.com/


Amor é algo do qual se fala muito, e se vive sonhando com ele. Todos, não há uma só criatura humana, que não busque amor. Filmes, fantasias, propaganda e histórias de todos os tipos têm no amor seu principal personagem. Entretanto, quantos podem clamar ter realizado o sonho? Ter incorporado o amor e estar vivendo-o aquele amor que idealizaram?

Amar na verdade é complicado. Cria problemas, tira da zona de conforto, confunde e, não último, dói. E pode doer mais do que dor de dente, muito mais do que dor de parto. O amor, quando não é um encostar-se no outro, um ter pena de si e/ou do outro, uma troca de favores e interesses em comum, dá trabalho. E muito trabalho.

Porque o amor não é uma escolha. Ele simplesmente acontece. Não se ama algúem porque
a pessoa é rica, bonita, têm os mesmos interesses que a gente, tem pais semelhantes aos nossos, pertence ao nosso grupo de amigos, tem nossos hábitos, é forte, dócil, etc. Se ama por que se ama. Ponto. É conveniente? Às vezes não. É fácil? Nem sempre. Dá paz e tranquilidade de espírito? Deixo a vocês a resposta.

O amor pode ser um cheque mate para o ego. Ego e amor têm, aliás, uma relação conturbada. É aí que entra o arregaçar as mangas. O amor quando vem é como uma luz que brilha na escuridão. É enxergar entre as névoas o potencial, a terra encantada. Chegar lá, se estabilizar lá e criar um mundo sólido e estável é por conta do ego, ou seja, de cada um de nós. É o trabalho individual, o investimento de tempo e energias que faz a diferença.

Amor não é um produto que, se for defeituoso, devolve-se para a loja. Quando o amor pega, não larga, não há acetona para tirar a mancha, não há botão de "delete". As pessoas que buscam o amor para encontrar conforto e alguém que cuide delas serão as primeiras a se desesperar. O sonho de chegar em casa e encontrar paz, abracos que acolhem, sorrisos que se abrem e muito carinho é a promessa. Depende de você realizá-la, porém. Aliás, depende de duas pessoas. Não cai do céu.
Há uma poesia belíssima que apresenta o amor nu e cru, sem véus e sem marketing. Aquele amor que é uma pedra no sapato, mas também glorioso, potente e enternecedor.


É O QUE É
de Erich Fried

É absurdo
diz a razão
É o que é
diz o amor

É infelicidade
diz o calculo
É somente dor
diz o medo
É vão
diz o juízo
É o que é
diz o amor

É ridículo
diz o orgulho
É atrevido
diz a prudência
É impossível
diz a experiência
É o que é
diz o amor
 
(tradução minha)

Dedico essa poesia a todos os que têm coragem e humildade para amar.

O ESPELHO DE GANDHI

Perguntaram a Mahatma Gandhi quais são os fatores que destroem os seres humanos. Ele respondeu:
A Política, sem princípios; o Prazer, sem compromisso; a Riqueza, sem trabalho; a Sabedoria, sem caráter; os negócios, sem moral; a Ciência, sem humanidade; a Oração, sem caridade
.
A vida me ensinou que as pessoas são amigáveis, se eu sou amável,
que as pessoas são tristes, se estou triste,
que todos me querem, se eu os quero,
que todos são ruins, se eu os odeio,
que há rostos sorridentes, se eu lhes sorrio,
que há faces amargas, se eu sou amargo,
que o mundo está feliz, se eu estou feliz,
que as pessoas ficam com raiva quando eu estou com raiva,
que as pessoas são gratas, se eu sou grato.
A vida é como um espelho: se você sorri para o espelho, ele sorri de volta.
A atitude que eu tome perante a vida é a mesma que a vida vai tomar perante mim.
 
"Quem quer ser amado, ame”.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

52 Dicas Ecológicas

Tentando divulgar dicas e idéias para as pessoas escolherem algumas para adicionar ao seu dia-a-dia. Claro que sabemos que é praticamente impossível adotar todas, porém você pode aos poucos fazer uma, duas, três e assim por diante. Ajude o nosso planeta a durar mais!

Então, pesquisando na internet, fiz um apanhado no blog "Ambiente Ecológico" (Vale a pena clicar e conferir!)



Tampe suas panelas enquanto cozinha!
Parece óvio, não é? E é mesmo! Ao tampar as panelas enquanto cozinha você aproveita o calor que simplesmente se perderia no ar.

Use uma garrafa térmica com água gelada
Compre daquelas garrafas térmicas de acampamento, de 2 ou 5 litros . Abasteça-a de água bem gelada com uma bandeja de cubos de gelo pela manhã. Você terá água gelada até a noite e evitará o abre-fecha da geladeira toda vez que alguém quiser beber um copo dágua

Aprenda a cozinhar em panela de pressão
Acredite... dá pra cozinhar tudo em panela de pressão: Feijão, arroz, macarrão, carne, peixe etc... Muito mais rápido e economizando 70% de gás..


Cozinhe com fogo mínimo
Se você não faltou às aulas de física no 2º grau você sabe: Não adianta, por mais que você aumente o fogo, sua comida não vai cozinhar mais depressa, pois a água não ultrapassa 100ºC em uma panela comum. Com o fogo alto, você vai é queimar sua comida.

Antes de cozinhar, retire da geladeira todos os ingredientes de uma só vez
Evite o o abre-fecha da geladeira toda vez que seu cozido precisar de uma cebola, uma cenoura, etc...

Coma menos carne vermelha
A criação de bovinos é um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa. Não é piada. Você já sentiu aquele cheiro pavoroso quando você se aproximou de alguma fazenda/criação de gado? Pois é: É metano, um gás inflamável, poluente, e megafedorento. Além disso, a produção de carne vermelha demanda uma quantidade enorme de água. Para você ter uma idéia: Para produzir 1kg de carne vermelha é necessário 200 litros de água potável. O mesmo quilo de frango só consome 10 litros .

Não troque o seu celular
Já foi tempo que celular era sinal de status. Hoje em dia qualquer zé mané tem. Trocar por um mais moderno para tirar onda? Ninguém se importa. Fique com o antigo pelo menos enquanto estiver funcionando perfeitamente ou em bom estado. Se o problema é a bateria, considere o custo/benefício trocá-la e descartá-la adequadamente, encaminhando-a a postos de coleta. Celulares trouxeram muita comodidade à nossa vida, mas utilizam de derivados de petróleo em suas peças e metais pesados em suas baterias. Além disso, na maioria das vezes sua produção é feita utilizando mão de obra barata em países em desenvolvimento. Utilize seus gadgets até o final da vida útil deles, lembre-se de que eles certamente não foram nada baratos.

Compre um ventilador de teto
Nem sempre faz calor suficiente pra ser preciso ligar o ar condicionado. Na maioria das vezes um ventilador de teto é o ideal para refrescar o ambiente gastando 90% menos energia. Combinar o uso dos dois também é uma boa idéia. Regule seu ar condicionado para o mínimo e ligue o ventilador de teto.

Use somente pilhas e baterias recarregáveis
É certo que são caras, mas ao uso em médio e longo prazo elas se pagam com muito lucro. Duram anos e podem ser recarregadas em média 1000 vezes.

Limpe ou troque os filtros do seu ar condicionado
Um ar condicionado sujo representa 158 quilos de gás carbônico a mais na atmosfera por ano.

Troque suas lâmpadas incandescentes por fluorescentes
Lâmpadas fluorescentes gastam 60% menos energia que uma incandescente. Assim, você economizará 136 quilos de gás carbônico anualmente.

Escolha eletrodomésticos de baixo consumo energético
Procure por aparelhos com o selo do Procel (no caso de nacionais) ou Energy Star (no caso de importados).

Não deixe seus aparelhos em standby
Simplesmente desligue ou tire da tomada quando não estiver usando um eletrodoméstico. A função de standby de um aparelho usa cerca de 15% a 40% da energia consumida quando ele está em uso.

Mude sua geladeira ou freezer de lugar
Ao colocá-los próximos ao fogão, eles utilizam muito mais energia para compensar o ganho de temperatura. Mantenha-os afastados pelos menos 15cm das paredes para evitar o superaquecimento. Colocar roupas e tênis para secar atrás deles então, nem pensar!

Descongele geladeiras e freezers antigos a cada 15 ou 20 dias
O excesso de gelo reduz a circulação de ar frio no aparelho, fazendo que gaste mais energia para compensar. Se for o caso, considere trocar de aparelho. Os novos modelos consomem até metade da energia dos modelos mais antigos, o que subsidia o valor do eletrodoméstico a médio/longo prazo.

Use a máquina de lavar roupas/louça só quando estiverem cheias
Caso você realmente precise usá-las com metade da capacidade, selecione os modos de menor consumo de água. Se você usa lava-louças, não é necessário usar água quente para pratos e talheres pouco sujos. Só o detergente já resolve.

Retire imediatamente as roupas da máquina de lavar quando estiverem limpas
As roupas esquecidas na máquina de lavar ficam muito amassadas, exigindo muito mais trabalho e tempo para passar e consumindo assim muito mais energia elétrica

Tome banho de chuveiro
E de preferência, rápido. Um banho de banheira consome até quatro vezes mais energia e água que um chuveiro.

Use menos água quente
Aquecer água consome muita energia. Para lavar a louça ou as roupas, prefira usar água morna ou fria.

Pendure ao invés de usar a secadora
Você pode economizar mais de 317 quilos de gás carbônico se pendurar as roupas durante metade do ano ao invés de usar a secadora.

Nunca é demais lembrar: recicle
Recicle no trabalho e em casa. Se a sua cidade ou bairro não tem coleta seletiva, leve o lixo até um posto de coleta. Existem vários na rede Pão de Açúcar. Lembre-se de que o material reciclável deve ser lavado (no caso de plásticos, vidros e metais) e dobrado (papel).

Faça compostagem
Cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico. Aprenda a fazer compostagem: além de reduzir o problema, você terá um jardim saudável e bonito.

Reduza o uso de embalagens
Embalagem menor é sinônimo de desperdício de água, combustível e recursos naturais. Prefira embalagens maiores, de preferência com refil. Evite ao máximo comprar água em garrafinhas, leve sempre com você a sua própria.

Compre papel reciclado
Produzir papel reciclado consome de 70 a 90% menos energia do que o papel comum, e poupa nossas florestas.

Utilize uma sacola para as compras
Sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio-ambiente. Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar. Quando for ao supermercado, leve uma sacola de feira ou suas próprias sacolinhas plásticas.

Plante uma árvore
Uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde.

Compre alimentos produzidos na sua região
Fazendo isso, além de economizar combustível, você incentiva o crescimento da sua comunidade, bairro ou cidade.

Compre alimentos frescos ao invés de congelados
Comida congelada além de mais cara, consome até 10 vezes mais energia para ser produzida. É uma praticidade que nem sempre vale a pena.

Compre orgânicos
Por enquanto, alimentos orgânicos são um pouco mais caros pois a demanda ainda é pequena no Brasil. Mas você sabia que, além de não usar agrotóxicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera que a agricultura "tradicional"? Se toda a produção de soja e milho dos EUA fosse orgânica, cerca de 240 bilhões de quilos de gás carbônico seriam removidos da atmosfera. Portanto, incentive o comércio de orgânicos para que os preços possam cair com o tempo.

Ande menos de carro
Use menos o carro e mais o transporte coletivo (ônibus, metrô) ou o limpo (bicicleta ou a pé). Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano.

Não deixe o bagageiro vazio em cima do carro
Qualquer peso extra no carro causa aumento no consumo de combustível. Um bagageiro vazio gasta 10% a mais de combustível, devido ao seu peso e aumento da resistência do ar.

Mantenha seu carro regulado
Calibre os pneus a cada 15 dias e faça uma revisão completa a cada seis meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante. Carros regulados poluem menos. A manutenção correta de apenas 1% da frota de veículos mundial representa meia tonelada de gás carbônico a menos na atmosfera.

Lave o carro a seco
Existem diversas opções de lavagem sem água, algumas até mais baratas do que a lavagem tradicional, que desperdiça centenas de litros a cada lavagem. Procure no seu posto de gasolina ou no estacionamento do shopping.

Quando for trocar de carro, escolha um modelo menos poluente
Apesar da dúvida sobre o álcool ser menos poluente que a gasolina ou não, existem indícios de que parte do gás carbônico emitido pela sua queima é reabsorvida pela própria cana de açúcar plantada. Carros menores e de motor 1.0 poluem menos. Em cidades como São Paulo, onde no horário de pico anda-se a 10km/h, não faz muito sentido ter carros grandes e potentes para ficar parados nos congestionamentos.

Use o telefone ou a Internet
A quantas reuniões de 15 minutos você já compareceu esse ano, para as quais teve que dirigir por quase uma hora para ir e outra para voltar? Usar o telefone ou skype pode poupar você de stress, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera.

Voe menos, reúna-se por videoconferência
Reuniões por videoconferência são tão efetivas quanto as presenciais. E deixar de pegar um avião faz uma diferença significativa para a atmosfera.

Economize CDs e DVDs
CDs e DVDs sem dúvida são mídias eficientes e baratas, mas você sabia que um CD leva cerca de 450 anos para se decompor e que, ao ser incinerado, ele volta como chuva ácida (como a maioria dos plásticos)? Utilize mídias regraváveis, como CD-RWs, drives USB ou mesmo e-mail ou FTP para carregar ou partilhar seus arquivos. Hoje em dia, são poucos arquivos que não podem ser disponibilizados virtualmente ao invés de em mídias físicas.

Proteja as florestas
Por anos os ambientalistas foram vistos como "eco-chatos". Mas em tempos de aquecimento global, as árvores precisam de mais defensores do que nunca. O papel delas no aquecimento global é crítico, pois mantém a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera.

Considere o impacto de seus investimentos
O dinheiro que você investe não rende juros sozinho. Isso só acontece quando ele é investido em empresas ou países que dão lucro. Na onda da sustentabilidade, vários bancos estão considerando o impacto ambiental das empresas em que investem o dinheiro dos seus clientes. Informe-se com o seu gerente antes de escolher o melhor investimento para você e o meio ambiente.

Informe-se sobre a política ambiental das empresas que você contrata
Seja o banco onde você investe ou o fabricante do shampoo que utiliza, todas as empresas deveriam ter políticas ambientais claras para seus consumidores. Ainda que a prática esteja se popularizando, muitas empresas ainda pensam mais nos lucros e na imagem institucional do que em ações concretas. Por isso, não olhe apenas para as ações que a empresa promove, mas também a sua margem de lucro alardeada todos os anos. Será mesmo que eles estão colaborando tanto assim?

Desligue o computador
Muita gente tem o péssimo hábito de deixar o computador de casa ou da empresa ligado ininterruptamente, às vezes fazendo downloads, às vezes simplesmente por comodidade.. Desligue o computador sempre que for ficar mais de 2 horas sem utilizá-lo e o monitor por até quinze minutos.

Considere trocar seu monitor
O maior responsável pelo consumo de energia de um computador é o monitor. Monitores de LCD são mais econômicos, ocupam menos espaço na mesa e estão ficando cada vez mais baratos. O que fazer com o antigo? Doe a instituições como o Comitê para a Democratização da Informática .

No escritório, desligue o ar condicionado uma hora antes do final do expediente
Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que equivale a quase um mês de economia no final do ano Além disso, no final do expediente a temperatura começa a ser mais amena.

Não permita que as crianças brinquem com água
Banho de mangueira, guerrinha de balões de água e toda sorte de brincadeiras com água são sem dúvida divertidas, mas passam a equivocada idéia de que a água é um recurso infinito, justamente para aqueles que mais precisam de orientação, as crianças. Não deixe que seus filhos brinquem com água, ensine a eles o valor desse bem tão precioso.

No hotel, economize toalhas e lençois
Use o bom senso... Você realmente precisa de uma toalha nova todo dia? Você é tão imundo assim? Em hotéis, o hóspede tem a opção de não ter as toalhas trocadas diariamente, para economizar água e energia. Trocar uma vez a cada 3 dias já está de bom tamanho. O mesmo vale para os lençois, a não ser que você mije na cama...

Participe de ações virtuais
A Internet é uma arma poderosa na conscientização e mobilização das pessoas. Um exemplo é o site ClickÁrvore, que planta árvores com a ajuda dos internautas. Informe-se e aja!

Instale uma válvula na sua descarga
Instale uma válvula para regular a quantidade de água liberada no seu vaso sanitário: mais quantidade para o número 2, menos para o número 1!

Não peça comida para viagem
Se você já foi até o restaurante ou à lanchonete, que tal sentar um pouco e curtir sua comida ao invés de pedir para viagem? Assim você economiza as embalagens de plástico e isopor utilizadas.

Regue as plantas à noite
Ao regar as plantas à noite ou de manhãzinha, você impede que a água se perca na evaporação, e também evita choques térmicos que podem agredir suas plantas.

Freqüente restaurantes naturais/orgânicos
Com o aumento da consciência para a preservação ambiental, uma gama enorme de restaurantes naturais, orgânicos e vegetarianos está se espalhando pelas cidades. Ainda que você não seja vegetariano, experimente os novos sabores que essa onda verde está trazendo e assim estará incentivando o mercado de produtos orgânicos, livres de agrotóxicos e menos agressivos ao meio-ambiente.

Vá de escada
Para subir até dois andares ou descer três, que tal ir de escada? Além de fazer exercício, você economiza energia elétrica dos elevadores.

Faça sua voz ser ouvida pelos seus representantes
Use a Internet, cartas ou telefone para falar com os seus representantes em sua cidade, estado e país. Mobilize-se e certifique-se de que os seus interesses – e de todo o planeta – sejam atendidos.

Divulgue essa lista!
Envie essa lista por e-mail para seus amigos, reproduza-a livremente, e, quando possível, cite a fonte. O Mude o Mundo agradece, e o planeta também!

Utilizando algumas dessas dicas você vai colaborar com o nosso planeta. Pense e ajude-nos a salvar o nosso ecossistema!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CAMINHAR, UMA FILOSOFIA

Frederic Gros
Editora: É realizações
Título original francês: Marcher, une Philosophie
Edição: 2010

Sinopse:

Sucesso editorial na França, previsto para sair no Brasil em 2011, livro de Fréderic Gros fala do ato de caminhar como quem trata de filosofia

Escolham as dores que preferem: o corpo encapsulado no carro durante um engarrafamento gigante ou o res­mungo dos músculos depois de uma longa caminhada? A coluna mastigada por horas diante de uma tela ou a dormência da lombar impactada por pés que foram longe? A saturação mental pelo cotidiano de informações ou o leve zunido da cabeça que pensou livremente o dia inteiro?

Frédéric Gros não esconde sua preferência pela fadiga preciosa, a que advém de um grato esforço. Filósofo, ele também caminha. “Duas coisas que detesto”, protestariam de chofre a síndrome de adolescente e o pragmatismo mercantil, monarcas absolutos da plasta época em que vivemos. No entanto, eu aposto: de sedentários barrigudos a ratos de biblioteca, poucos resistirão à prosa de Gros.

Na França, a obra foi acolhida com entusiasmo por sua escrita “soberana, límpida, exata” (Le Monde), além de “ritmada e enérgica” (Les Echos). Um “livro inclassificável” (L’Express), de “profunda simplicidade” (Le Figaro). Um convite a “itinerários a um só tempo universais e singulares”(L’Humanité). O sucesso foi também de público: a edição de bolso será lançada em breve.

Ora, intelectos refinados raramente produzem textos tão cativantes. Grande conhecedor e editor da obra de Michel Foucault, professor de filosofia da Universidade de Paris XII, o jovem Frédéric Gros já acumula notável produção acadêmica, na qual se destaca um ensaio magistral sobre a guerra (États de Violence, Paris: Gallimard, 2006). Contudo, em entrevista ao Philosophie Magazine (agosto de 2009), o autor explica que o elementar sobre a caminhada encontra-se fora do discurso filosófico universitário: “É que ela fala primeiro àquele que a pratica”.

Sim, o texto de Gros nos atinge fisicamente. Mas não entendam mal a sua faceta aeróbica. Não se trata de um guia para atletas ou peregrinos – aliás, o autor desconfia dos guias. A primeira frase esclarece que caminhar não é um esporte, pois prescinde de técnica, escore ou competição. Longe das grandes cerimônias da mídia, a caminhada é mera repetição de um gesto infantil: um pé diante do outro. Nas longas marchas, aliás, em radical oposição ao ritmo de vida contemporâneo, o maior sinal de segurança é a lentidão. A velocidade é uma perda de tempo. Sei que chegarei ao final, portanto, desfruto, não preciso correr. O estirar do tempo aprofunda o espaço.

Então, de que trata o livro? Penso, logo... caminho? Ou vice-versa? O certo é que aqui a filosofia não é vã: é um grande vão – como verbo conjugado (incitação a ir) e como substantivo (espaço que atrai). Gros segue, entre outros, os passos de Nietzsche: lágrimas de felicidade ao caminhar longamente, nada sentimentais, mas que marcam seu “privilégio sobre os homens de hoje”. De Rimbaud, para quem o aqui era insuportável, por isto a fuga obstinada e enraivecida, a morte de passagem por Marselha.

De Thoreau, em busca do primitivo, não por ser antigo, mas porque ali ainda vibram as forças de nosso futuro. Na trilha da filosofia, faz-se uma filosofia da trilha; Rousseau, Nerval e Gandhi ladeiam andarilhos anônimos.

Sem cacoetes de biógrafo ou resquícios de arrogância, o autor trança, mas não as pernas. Não é um “livro obeso”, embuchado de bibliotecas, “envenenado pelas morais sedentárias”. Os capítulos são curtos, plenos de frescor. Abordam o silêncio – no ruído da natureza, dissipa-se nossa linguagem funcional. E a solidão: se a tropa for grande, caminhar pode tornar-se um inferno, “a sociedade transportada para a montanha”.

Só, ou em solidão compartilhada, caminhar despoja. O que parecia imprescindível mostra-se um peso, porque as ofertas em profusão (bens, transportes, redes) e as facilidades (comunicar-se, comprar, circular) geram dependências que nos aprisionam. Logo, aparentes privações convertem-se em pequenas libertações. A infusão do corpo em sabores, cheiros e cores permite “possuir sem os inconvenientes da propriedade”. Restam os da incerteza. Mas quando há chuva, frio ou calor inclementes, exaustão ou percalços, a alma encoraja o corpo e se orgulha dele. “Nada do seu saber, de suas leituras, de suas relações servirá aqui: duas pernas bastam, e grandes olhos para ver”, escreve Gros.

Caminhar também põe em xeque o abismo entre fora e dentro. Lá fora significa quase sempre uma transição entre interiores: o brincar das crianças, o sair dos adultos, o caminho entre trabalho e casa, a higiene mental de Kant ou a pausa para arejar. Entretanto, na caminhada, o fora é estável, é lá mesmo. A constância do passo permite habitar uma paisagem, impregnar-se dela. Em lugar do acúmulo de imagens fugazes, pequenas doses de presença.

A propósito, em palestra sobre o livro (disponível no site
www.laprocure.com), o autor resgata Platão, para quem o conhecimento exige que se habite os problemas, que neles se passeie com desenvoltura antes de resolvê-los. Na mesma ocasião, Gros cede ao célebre exercício estoico da “precisão da urgência”: o que faria se tivesse apenas duas semanas de vida? “Uma imensa caminhada”, responde, sem hesitar.

Assim, na contramão da liturgia social e do jugo econômico que nos acachapam, surge o fôlego subversivo de Gros, ar puro que encoraja à evasão. Não é preciso ir muito longe para caminhar, ou para viver de outro modo. Basta valorar cada gesto pelo que custa em “instantes de vida pura”; familiarizar-se com as verdadeiras paisagens, e não se contentar com suas representações. Enfim, ao mesmo tempo e sem pressa, caminhemos mais e pensemos melhor.
Livro de Frédéric Gros (Caminhar, uma Filosofia, em tradução literal) tem publicação no Brasil, pela editora paulista É Realizações, prevista para 2011.

* Professora do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da USP, autora de As Assimetrias entre o Mercosul e a União Europeia (Manole, 2003)
DEISY VENTURA *
Fonte:



"Pior que não terminar uma viagem é nunca partir"